História da Fotografia de Casamentos: Álbuns

Revert Henrique Klumb – A Imperatriz D. Teresa Cristina com as princesas Isabel e Leopoldina ao fundo, 1861. Rio de Janeiro, RJ – Acervo IMS

Na semana passada eu falei sobre a história da fotografia nos casamentos e se você ainda não leu, confere aqui, está muito bacana e cheio de curiosidades.

Essa semana gostaria de continuar a falar sobre história, mas dessa vez dos álbuns de fotografia.

Como vimos na última semana, a fotografia é uma invenção relativamente moderna com menos de 200 anos. E o álbum fotográfico é ainda mais recente.

A primeira concepção que se tem de álbum fotográfico é dos anos de 1830 e 1840, e eram na verdade cadernos de pesquisa montados pelos próprios inventores dos experimentos fotográficos bem sucedidos.

Esses cadernos eram mantidos em um ciclo bem restrito de acesso, apenas entre os próprios inventores. A máquina fotográfica dessa época ainda não possuía negativos ou filme, e a fotografia tinha que passar por um processo de revelação extenso, o resultado final era positivo, uma fotografia com grande quantidade de detalhes, porém impressa em uma placa que precisava ser protegida como um cristal e ser mantida em embalagem hermética, para não sofrer perda de imagem. Cada fotografia era única, não havia como fazer cópias e sua forma de conservação era imprópria para um formato de álbum.

Em 1854, surgiu o Carte-de-visite, patenteado em Paris por Louis Désiré Blanquart-Evrard (1819-1899). O Carte-de-visite era uma fotografia pequena de aproximadamente 11,4 x 6,4 cm, montada individualmente em papel rígido. Sua impressão era feita em papel albuminado e foi o primeiro método comercialmente viável de se obter impressões fotográficas a partir de negativos. Usava-se albumina (extraída da clara do ovo) para fixar a prata ao papel. Essa forma de impressão foi a mais popular até o início do século XX.

O Carte-de-visite se tornou moda rapidamente, podia ser encomendado em quantidade, e eram uma bela forma de presentear, pois podiam ser entregues pessoalmente ou enviados pelo correio. Primeiramente eram mais pessoais, mas logo os estúdios fotográficos começaram a oferecer Cartes-de-visites de pessoas famosas como atrizes e membros da realeza. Não demorou muito para que esses retratos passassem a ser colecionados e trocados. Surgiu a necessidade de um álbuns que pudesse preservar e facilitar a apresentação das coleções.

Os álbuns eram projetados como livros encadernados com capas de couro e permitiam a reorganização das fotos. A posse de um álbum desses virou um passatempo muito comum na época. Uma prática que continua ainda hoje com os famosos álbuns de figurinhas da Copa ou de personagens de desenhos ou novelas.

Warren, John Collins, 1842-1927 – 1866-1869 – chm@hms.harvard.edu

E para quem acha que o Scrapbook é uma modalidade recente, se engana, em 1873, uma coluna do jornal “Canadian Illustrated News” apresentava diversas maneiras criativas para montar e apresentar os cartes-de-visites, recortando as fotos montando-as em pinturas, fazendo aplicações de flores prensadas, acrescentando poesias, enfim, várias formas. Tornando cada álbum único.

A tecnologia fotográfica e os álbuns evoluíram juntos. Os estúdios começaram a criar cartes-de-visites maiores (15,9 x10,8 cm), introduzidos no mercado em 1860, e os álbuns com aberturas para os dois tamanhos.

Cartão Cabinet – Registro de uma festa de casamento da década de 1870 ou 1880.

Em agosto de 1888, dois inventores norte-americanos, George Eastman e seu amigo William Walker, deram um passo revolucionário para a fotografia e pediram a patente do filme de rolo. Com um adaptador, ele podia ser fixado em qualquer câmera que funcionasse à base de chapas.

A empresa de Eastman, continua firme no mercado da fotografia até hoje, ela é a Kodak, e fez com que a fotografia se popularizasse como hobbie, e as pessoas puderam fazer registros da vida privada.

O aumento do volume de fotografias impressas fez com que os modelos encadernados também precisassem evoluir, e logo surgiram as opções de álbuns em que pudessem ser adicionados folhas extras, permitindo maior versatilidade para os usuários com possibilidades de expandir ou diminuir, criar álbuns com temas como coleções destinadas às viagens ou registros de família.

Esses modelos foram se modernizando ao longo dos anos e são muito populares. Atualmente adicionados a esses modelos de “páginas de plástico” também temos grande variedade de álbuns mais sofisticados com formatos em revistas, encadernados e fotolivros. Geralmente destinamos esses, para eventos mais marcantes onde contratamos um profissional de fotografia para nos ajudar a contar essa história.

Ao longo dos anos, muitas coisas se desenvolveram e novas tecnologias surgiram, tornando as distâncias cada vez mais curtas e as pessoas cada vez mais próximas. Por isso, hoje te faço um convite, que tal dar uma vasculhada nos CDs, HDs, ou pen Drives e relevar essas belas lembranças que você tem deixada guardadas e estão apenas esperando para que você as compartilhe com alguém?!

Vai dizer que não seria fantástico sentar com a família e relembrar as histórias com essas fotos para ilustrar?

O texto de hoje foi um pouco extenso, peço desculpa, mas não teria como eu resumir os fatos ainda mais. Agradeço por ter a sua companhia e peço que deixe nos comentários a sua opinião e sugestão para próximos temas. Espero que tenha gostado.

Beijo e até a próxima.

Fontes: Wikipédia, Infoescola, Martha Langford “Telling Pictures and Showing Stories: Photografic Albums in the Collection of the Mc Cord Museum of Canadiam History”, DW Brasil, Brasiliana Fotográfica

Encontrei o amor da minha vida em 2009 e nos casamos em 2015. Sou Cristã, Fotógrafa e designer, formada em Comunicação Social e idealizadora da CarpeDiem Lembranças. Acredito que o amor é a maior e melhor memória que podemos ter e por isso amo fotografar famílias, sejam em seu início nos casamentos ou quando elas estão crescendo e novos membros estão chegando.
O Blog nasceu como uma iniciativa de unir conhecimentos e profissionais em um só lugar!
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